Socorro! Crianças, isolamento e a continuação da rotina escolar.

A COVID-19 chegou e com ela inúmeras mudanças no nosso cotidiano. Geralmente, mudanças nos causam desconforto porque ela mexe com a nossa zona de conforto e a nossa rotina. De repente, tivemos que fazer todo um processo de adaptações, que sabemos não ser nada fáceis. Os pais agora além de dar conta do home office, precisam dar conta do processo de escolarização das crianças e adolescentes.

Confesso que o desafio maior se apresenta com as crianças, sobretudo aquelas que ainda se encontram no fundamental I. Se o desafio para nós adultos, que sabemos expressar o que sentimos em palavras, já é enorme, imagine para as crianças, que ainda estão em formação. Não é à toa que frequentemente, venho recebendo muitas perguntas e dúvidas dos pais sobre como lidar com as crianças na quarentena. Foi pensando nisso, que preparei esse texto para ajudarmos a pensar um pouco sobre essa situação do que podemos fazer para enfrentar melhor essa situação.

As emoções das crianças sobre o isolamento e a continuidade da rotina escolar podem assumir formas de comportamentos inadequados e que, às vezes, precisam ser decodificados porque podem se apresentar como uma coisa e significar outra. De fato, pode ser difícil para as crianças encontrarem as palavras e a coragem de dizer como realmente se sentem em seus corações e o que se passa em suas cabeças. Nós, adultos, podemos devemos estar atentos a esses sinais, a fim de decodificá-los e encaminhar as crianças em direção a uma situação de maior bem-estar.

Muitas vezes há tristeza e / ou medo por trás de reações de agressão, oposição ou resistência, sobretudo agora com o isolamento e todas as mudanças que ele nos trouxe. Essas reações podem assumir as seguintes formas:

  • raiva : “Esses Legos são uma droga, eles não se encaixam corretamente! “
  • resistência ou oposição aos pedidos dos pais: “Não, eu não vou fazer o meu trabalho. Nem um único exercício! ”/“ Não, eu não vou escovar os dentes! ”
  • tensão : “Eu quero ir brincar lá fora, eu estou enjoado de ficar em casa.”
  • tédio : “Não tem nada pra fazer, faz alguma coisas comigo?
  • descontentamento : “Eu não queria chocolate quente, eu queria suco!”
  • o incessante Só mais um pouco : “Vamos, mãe / pai, mais 10 minutos de TV” (depois mais 10 minutos e 10 minutos)

Pode ser difícil para as crianças, nesse contexto que estamos vivenciando, fazer escolhas, afirmar posições e se envolver em coisas novas, por isso, muitas pedirão às pessoas a sua volta que façam coisas por elas, em vez de correr o risco de se expor ou falhar. Daí, as diversas reações que acabei de descrever acima. Então, o que podemos fazer como adultos?

  1. Melhorar nossa comunicação com a criança: Busque melhorar sua comunicação com seu filho. Você pode começar por colocar os seus pedidos e expectativas sempre de forma positiva. Ao invés de dizer “Não deixei todos esses brinquedos espalhados”, diga “Por favor, guarde todos os seus brinquedos.” Lembrando que por meio da comunicação, podemos derrubar muros e construir pontes. Então fique atento ao que você diz, mas sobretudo, como você diz. Por exemplo, ao invés de falar: você nunca faz o que eu mando, você pode dizer: já pedi várias vezes para você guardar esses brinquedos, isso acaba me deixando chateado. Vou dar cinco minutos, vou sair e quando voltar quero ver esses brinquedos na caixa. Entendido?”

 

  1. Ofereça opções. As crianças gostam de sentir que elas estão fazendo escolhas e estão no controle também, ou seja, não estão apenas fazendo uma coisa que o adulto está dizendo para ela fazer. Portanto, você pode utilizar isso a seu favor. Por exemplo, a criança está jogando e já passou da hora do banho e você sabe que ela entrou no módulo Só mais um pouco. Oferecer uma opção pode ser uma alternativa. Por exemplo: João, você pode desligar o jogo e ir tomar banho, jantar e voltar jogar por mais 30minutos antes de dormir, ou eu desligo o jogo e você só volta a brincar com ele amanhã à tarde? O que você prefere? Entretanto, verifique se as opções são limitadas, específicas e aceitáveis ​​para você. Porque uma escolha que não é aceitável para você apenas amplificará o conflito.

 

  1. Seja flexível – Flexibilidade que não causa dano, pode diminuir os conflitos. O que quero dizer com isso? Suponhamos que as aulas que seu filho precisa assistir são gravadas e não precisam ser estudas e assistidas no período de aula usual dele, por exemplo, a parte da manhã. Digamos que para não perder o hábito de estudo pela manhã, você prefira que seu filho estude e faça as lições nesse horário. Suponhamos que hoje ele acordou indisposto e já começou o módulo enrolação. Converse, tente entender o que aconteceu. De repente, ele não dormiu muito bem. Relembre a rotina e a razão de fazer a parte de estudo pela manhã e então diga que você deixará fazer essa rotina, excepcionalmente, hoje pela tarde. Diga horário e reforce o combinado. Se você sentir que a coisa rendeu nesse período, no contexto que coloquei aqui, por que não fazer diferente?

 

  1. Autonomia com acompanhamento – eu sei que é difícil dar conta de home office e ainda ajudar os filhos com a rotina escolar, mas é importante estarmos atentos a pontos que podem gerar mais conflito e frustração. Não adianta querermos que nossos filhos fiquem duas ou três horas e, às vezes mais, na frente do computador. Há uma diferença entre ficar horas na frente à tela para jogar, o que é comum entre crianças e adolescentes, e estar ali para dar conta do conteúdo escolar. São dois contextos de aprendizagem totalmente diferentes. Sem entender isso, tenderemos ao caminho da frustração tanto para pais quanto para filhos. O que os pais podem fazer? Ensinar autonomia, mas acompanhar de perto. Ensine a se preparar para hora do estudo, antes das aulas que deverá assistir. Separe os materiais, elimine tudo que pode causar dispersão para aumentar a concentração. Converse com ele sobre essas mudanças causadas em relação do Covid-19 e as adaptações que são necessárias. Ajude a entender sobre a importância do trabalho em equipe e da colaboração. Acompanhe de perto, verifique as lições e o quanto ele absorveu.

 

  1. Utilize o lúdico – Brincar pode ajudar a seu filho encarar as tarefas a serem realizadas com mais entusiasmo, ou pelo menos, com mais motivação. Se você faz home office, mostre as tarefas que você tem que realizar. Façam uma competição de quem consegue fazer um bom trabalho. As crianças em idade escolar têm uma imaginação fértil, utilize isso a seu favor.

 

  1. Seja paciente e persistente – Todo mundo está tendo que aprender e a fazer adaptações na forma como trabalham, fazem compras, realizam reuniões etc. Com as crianças é a mesma coisa. Com uma diferença: elas ainda não sabem lidar com o turbilhão de emoções que advêm dessa situação. Mudanças demandam dias e repetição, então não se frustrem, seja persistente.

 

  1. Confie em vocês – Confie em sua capacidade de orientar seu filho. Tenho certeza de que você quer entregar o melhor para ele e se esforçam muito para isso, então não duvidem da sua capacidade. Confiem sobretudo nas suas palavras, pois elas ajudam organizar a experiência do mundo infantil, ou seja, no mundo do seu filho. Firmeza com bondade: essa é a receita no processo de guiar as crianças, educando-as para a vida.

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