Quando os pais superprotegem os filhos

Geralmente, a maioria das pessoas alimentam uma visão de que a idade adulta é cheia de responsabilidades sérias e a infância (adolescência) é livre de estresse, o que não é verdade. Afinal, as crianças fazem testes, aprendem novas informações, mudam de escola, mudam de bairro, ficam doentes, usam aparelho, experimentam intimidações como o bullying, fazem novos amigos e ocasionalmente se decepcionam com esses amigos.

 

O que ajuda as crianças a enfrentar esses tipos de desafios é a resiliência. Crianças resilientes são solucionadoras de problemas. Elas enfrentam situações desconhecidas ou difíceis e se esforçam para encontrar boas soluções. Isso não significa que as crianças tenham que fazer tudo sozinhas. Resiliência não é direito de nascença. Isso pode e deve  ser ensinado. O grande desafio hoje encontra-se exatamente no fato de vivermos numa cultura que tenta garantir que os mais jovens, aqueles que são inseridos nesse mundo por nós adultos, não sofram qualquer tipo de desconforto. Assim, encontramos pais que querem estar à frente de tudo de forma a antecipar qualquer desafio, dor ou decepção que seu filho deva passar. Hoje os pais acreditam que dar uma boa educação é sinônimo de dar um bom processo de escolarização. Daí o investimento em cursos e escolas de ponta, viagens ao exterior, frequência a teatros etc. Essas coisas são importantes? Sim! Há problema de os pais quererem oferecer isso a seus filhos? Não. O problema é quando achamos que é isso o que vai preparar os filhos para as vicissitudes da vida. Não é à toa que podemos encontrar nas empresas hoje em dia, indivíduos muito bem preparados academicamente, mas emocionalmente imaturos.

 

Isso é um dos resultados da superproteção que os pais dão aos filhos. Eles não ouvem não, porque desde pequenos os pais tinham medo de que isso viesse gerar um trauma ou frustração para a criança. Imagina o que vai acontecer se desde pequeno você acostumado a ouvir que você faz tudo certo, nunca comete erro, que é perfeito e de repente, você já – um adulto – ouve uma crítica!  Certamente, isso será insuportável. É claro que os pais não fazem isso de propósito. Há uma boa intenção no ato. Muitas vezes frutos da ansiedade. Pessoas ansiosas têm muita dificuldade em ajudar seus filhos a tolerar a incerteza, simplesmente porque têm dificuldade em tolerar isso. Dessa forma, pais ansiosos demais tentam proteger seus filhos e protegê-los dos piores cenários. Isso é algo que começa desde pequeno e pode atravessar a idade adulta. Tal postura além de contribuir para baixa tolerância à frustração, também faz com que o indivíduo na fase adulta, protele e, até mesmo, rejeite uma mudança de posição na dinâmica do relacionamento familiar. Por exemplo, um adulto que sempre foi protegido contra qualquer tipo de frustração ou desafio pelos pais, pode, mesmo depois do nascimento de um filho, recursar-se a assumir a posição de pai.

 

O que não podemos perder de vista é que aprender a lidar com os desafios e problemas da vida, é um processo que apre(e)ndido. O que os pais podem fazer para ajudar os filhos nesse processo?

 

  1. Não atenda a todas as necessidades.

Sempre que tentamos fornecer segurança e conforto, estamos atrapalhando as crianças a desenvolver sua própria resolução de problemas e domínio. Alguns exemplos dramáticos, mas que são comuns. A criança sai da escola ao 12:00 e se preocupa com o fato de os pais a busque a tempo. Os pais ansiosos e para evitar que a criança sinta qualquer tipo desconforto, chegam uma hora antes e estacionam o carro bem de frente à sala de aula da criança, para que ela possa ver que os pais já estão lá esperando por ela.

Em outro exemplo, os pais deixam a criança de 7 anos dormir em um colchão no chão do quarto, porque a criança não se sente confortável dormindo no quarto dela sozinha.

 

  1. Evite eliminar todos os riscos.

Naturalmente, os pais querem manter seus filhos seguros. Mas eliminar todos os riscos tira as crianças do aprendizado que a resiliência produz. Nesse caso, por exemplo, a mãe pode querer, mesmo que a criança já seja amis velha, desfiar a carne ao invés de cortá-la em pedaços pequenos porque tem medo de que a criança engasgue. É preciso dar às crianças a liberdade apropriada para a idade, pois isso ajuda a criança aprender sobre seus próprios limites.

 

  1. Ensine-os a resolver problemas.

Digamos que seu filho queira ir para o acampamento, mas está nervoso por estar longe de casa. Pais ansiosos provavelmente dirão a criança que desista de ir já que ela não sente confiante de estar longe dos pais. Uma abordagem melhor seria ajudar a criança a controlar esse nervosismo, pensando junto com ela em estratégias que poderá utilizar caso sinta saudade da família enquanto estiver no acampamento. Essa antecipação do que ela poderá fazer ajudará a criança a enfrentar o problema que a aflige.

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