Bem, ninguém quer criar um “reizinho” ou uma criança mimada. No entanto, no intuito de serem bondosos e gentis, os pais deixam o filho ou a filha entrar no comando das coisas. Há pais que simplesmente aceitam comportamentos totalmente inadequados. É claro que toda criança resmunga, faz manhas e até mesmo têm acessos de raiva. Essas atitudes, ou melhor, comportamentos são maneiras pelas quais as crianças reivindicam sua independência. Até ai tudo bem. O que importa, nesse contexto, é como os pais reagem diante de tais comportamentos. O “reizinho” surge exatamente quando a criança predominantemente fica no comando da família. No final das contas, as coisas são feitas da maneira que a criança quer e quando contrariada, o “reizinho” está a postos para entra em cena. Assim, uma criança não é mimada, nem pode ser considerada o “reizinho” porque faz manha. Ela se torna o reizinho apenas quando toda vez que faz manha ou esperneia, consegue o que quer. Quando os pais cedem a comportamentos inadequados dos seus filhos permitindo que eles assumam o comando, eles se esquecem que estão estabelecendo um padrão que vai perdurar a vida toda. Se uma criança de 2 anos nunca ouviu um não, como alguém pode achar que quando ela tiver 13 anos, ela vai ouvir e dizer tudo bem? Os “reizinhos” são crianças que nunca tiveram a oportunidade de experimentar a frustração. As lições aprendidas na infância vão acompanhá-los na vida adulta.

Como educar um “reizinho”

Os pais não devem se desesperar e achar que está tudo perdido, pois não está. É possível poder restabelecer os papéis dentro da relação parental. Não se trata de dar uma receita de bolo, mas de levar alguns pontos que acredito serem essenciais nesse processo. A primeira coisa para se ter em mente é que para reassumir o controle, os pais precisam estabelecer limites e isso significa ter que estabelecer regras. Sem isso, reassumir o controle será bem mais difícil, pois os filhos precisam entender o que é requerido deles. Há pessoas que acreditam que isso é limitar o campo de ação dos filhos. Acredite não é.

Tente atravessar uma rua sem farol que diga aos carros quando parar e quando dar passagem ao pedestre.

Ainda que a travessia seja possível, ela é bem mais demorada. Não basta apenas estabelecer regras, é preciso sentar com os filhos e comunicar-lhes O que é permitido e o que não é. É óbvio que ao estabelecer as regras ou os limites, os pais precisam estar em comum acordo. Não adiante apenas um deles querer fazer correções de percurso. Caso isso aconteça, o que era apenas um problema parental passa a ser um problema conjugal. É preciso estar atento a isso, pois os filhos irão testar seus pais. Os filhos, por exemplo, tentarão testar ambos os pais para ver quem consentirá primeiramente com a quebra de alguma regra ou fará algum tipo de concessão. É claro que reassumir a autoridade parental é um processo e requer mudança. Todo processo de mudança incomoda. No caso da relação pais e filhos, mudar é difícil tanto para eles (pais) quanto para os filhos. Para os pais mudar é difícil porque estes terão que fazer coisas as quais não estavam acostumados (acompanhar progresso do filho na escola, verificar com quem vão sair, administrar sanções) e para os filhos, a dificuldade reside no fato de que estavam acostumados a fazer aquilo que era de sua vontade apenas. Assim, reassumir o papel de autoridade requer persistência e paciência, pois se trata de um processo e não de um projeto. Os processos, como se sabe, demandam muito mais tempo que os projetos. Esses, aliás, têm tempo limitado, prazos.

Acima de tudo vale lembrar que não é fixando regras que farão as crianças respeitarem suas autoridade.

Mas vamos pensar em três importantes passos.

1º – é incentivar que tenham grande respeito por todos os membros da família. Isso é um trabalho constante e exige muita dedicação.

2º – é rever como eles tem falados com seus filhos. É comum ouvir pais falarem com seus com atitudes que enfraquecem suas autoridades, por exemplo:” você tem que tomar remédio porque o médico mandou”, mas o correto seria: “você tem que tomar remédio porque está doente e nós queremos que você fique bom logo”. Sem perceber, os pais transferem a autoridade para o médico e distanciam -se da autoridade que deveriam exercer. Os pais erram porque pensam que as crianças não o compreendem.

3º- é não se deixar levar pelo amor possessivo e superprotetor. Não há problema nenhum em amar e proteger os filhos, pelo contrário, isso é fundamental para o bom desenvolvimento das crianças. Mas uma boa educação requer algumas características concretas, como firmeza e tolerância. As mães não precisam ter medo de serem “bruxinhas”, elas podem dizer “não”, elas podem pedir que seus filhos arrumem suas camas, que recolham a louça do jantar. Elas não precisam sentir pena de seus filhos. Dar conta de pequenas responsabilidades, tornar os filhos mais fortes para suportar, na fase adulta, os dessabores da vida.

Ser ou não amigos dos filhos?

Em relação a essa questão, o grande desafio reside no valor que às pessoas têm dado ao sentido da palavra amigo. Ora, amizade pressupõe uma relação de igualdade, ao contrário do que acontece na relação pais-filhos, que é, sem dúvida, uma relação de não-iguais. Basta consultarmos um dicionário e veremos que a própria língua portuguesa faz uma contraposição entre amizade e parentesco, ponto recorrente nos estudos sociológicos, antropológicos e psicológicos. A má compreensão do significado da palavra amizade no contexto familiar tem produzido uma espécie de curto circuito na relação parental, pois os pais esquecem que ser amigo do filho não carrega em si os mesmos pressupostos da amizade com outros fora da dinâmica dessa relação. Por que essa relação é diferente? Bem, ainda que eu ache que um amigo precise de um banho, raramente falarei isso de forma tão direta para ele. Como pais a coisa é, ou pelo menos, deveria ser bem diferente. Ter isso em mente ajuda muito na hora de estabelecer limites entre a tal amizade e a autoridade parental. Os pais não precisam achar que perderão o amor do filho ao exercerem sua autoridade. Às vezes, acabamos nos esquecendo de que autoridade é diferente de autoritarismo. Por incrível que pareça, isso é o que ajuda os filhos a projetarem nos pais uma imagem de porto seguro, confiança e credibilidade.

Tanto o pai quanto a mãe são necessários e importantes em uma ação conjunta, não é papel só da mãe dá afeto e compreensão e ao pai o de aplicar sanções. Os pais podem e devem ensinar seus filhos a serem donos de si mesmos, com respeito e generosidade para com os outros.

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